"" Hoje estou a pensar em nós, não sei porquê, de repente todas as lembranças acordaram dentro de mim, quando o mais lógico seria esquece-las, seria apagar-te do livro do meu coração. Mas, de repente, comecei a pensar, não sei o que provocou isso, talvez tenha sido uma gerbera triste que tenha visto morrer no vaso. O chão ficou cheio de pétalas mortas, desfeitas, como se fosse lágrimas que a flor chorou ou talvez o pôr-do-sol bonito que vi, mas nada restou, nada...
Eu pensei que ia continuar a viver, como antes de entrares na minha vida, mas hoje compreendo que tu ficaste em mim, ficaste na minha vida. Penetras-te com força no meu sangue e no meu coração batendo com força e que vira dentro de mim, como se fosse uma presença extra-sensorial, como se fosse um ser ligado misteriosamente a mim, por laços reais que não vemos, mas sentimos. Sinceramente eu não sei mais o caminho que vou seguir, vou tentando esquecer-te, mas torna-se difícil.
Vieste para a minha vida como um pouco de brisa que vem para a tarde quente de verão, vieste simplesmente. Apareceste como um pouco de beleza que eu jamais sonhara ver e que de repente surgiu. Pensei que amar fosse apenas desejo, contacto de mãos, de corpos, aprendi que o verdadeiro sentimento vem de dentro, das profundezas da alma e do fundo do coração.
Analiso o que sinto por ti, analiso esta ansiedade, esta vontade imensa de ver-te, de apertar-te no meus braços, de sentir a tua presença, de ouvir as tuas palavras e ver a tua alma debruçada nesses olhos. Retrocedi pelo meu caminho e pensei que estava na hora de recomeçar a viver, mas senti que não estava só, tinha comigo a sombra da saudade a seguir-me falando-me de ti, falando-me de nós e por isso estou a pensar em ti nesta noite vazia e fria, mas cheia de saudade.
Estou a pensar em nós que fomos algo e hoje não somos nada. Apenas dois estranhos, dois estranhos separados. É como se a vida tivesse perdido o sentido, como se o adeus tivesse matado em mim o que eu tinha de mais nobre, de mais belo que era a capacidade de amar. Nada restou em mim, restando-me apenas o conteúdo da saudade. Só esta vontade imensa de apertar-te nos meus braços. Estou perdida dentro de mim mesma e por mais que tente não consigo esquecer-te. ""

Este foi um dos textos que encontrei hoje nas lembranças perdias, acho que ainda não o tinha concluído, isto porque nem assinado nem data, e também não me recordo quando o escrevi. Provavelmente em 2009, mas não quero confirmar.
Por entre as inúmeras palavras que escrevi, muitas que escondi, agora sinto-me totalmente preparada para falar, para revela-las. Já não tenho receio, está superado, porque o ser humano habitua-se ao que não tem, ao que já não existe, à ausência, à distancia. E como ser humano que sou habituei-me, porque a vida continua, um capítulo termina, o livro fecha-se, de preferência para não voltar a abrir, por vezes faz mal recordar memórias, reviver recordações, ou tentar escrever novos capítulos.


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