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domingo, 14 de novembro de 2010

Paixão em Tempos de Cólera

Sendo o Jornal Metro um líder mundial de passagem de informação de forma gratuita, explicita e objectiva, para além de nos identificar as notícias do dia, também apresenta algumas crónicas e opiniões. Fazendo parte da minha leitura matinal, através do metro irei apresentar aqui algumas das minhas preferidas. Inicio com a de Fernando Alvim, sobre a Paixão.

 Paixão em Tempos de Cólera
""Chegou a hora de falar de paixão e deixar de bajular o amor. Se me permitirem, tem que ser feita justiça em relação à paixão, Mas uma justiça de milícia popular, com archotes e enxadas na mão, uma justiça que nos ponha roucos, de cara ruborizada, com as veias dilatadas como nos discursos de tomada de posse do Valentim Loureiro. Por mim, corta-se já uma estrada, uma avenida central, a pista do Jamor. Por mim, é já hoje, um buzinão na ponte, nas portagens, uma greve geral, o que for, mas assim é que nos podemos continuar. E digo-vos já porquê, deixem-me só beber um copo de água. A paixão tem sido de forma sistemática, ao longo dos anos, de forma quase velhaca, prejudicada pela equipa de arbitragem. Não há jogo nenhum, em que o amor não seja levado mais a sério do que a paixão. E eu não posso concordar com isto. E não me venham aqui os amorosos do costume dizer que a paixão é a primeira fase e depois se desenvolve o amor e tal e coiso. A paixão pode durar uma vida. A paixão mete o amor num chinelo e levanta um estádio inteiro com uma jogada de génio. o Amor quando muito passa a bola. O amor é Moutinho e a paixão é Hulk. A paixão é o toque de calcanhar do Majder, o amor é um remate certeiro, mas só isso. A paixão rói as unhas, o amor passa a vida a tratá-las para não se partirem. E esta é a principal diferença, a paixão não tem tempo para pedicure. Na paixão não tem que ser, é. Já o amor é o que se sabe, uma folha de cálculo, organizadinho, com a camisa aos quadradinhos, risquinho ao meio no cabelo. Pois a paixão também o pode ser. E está na altura de não a subestimarmos mais. Alguém diga que está apaixondado por outra, não pode ser tratado como se fosse um amante. A paixão pode também nunca morrer, sem precisar dessa coisa do amor. A paixão é independente, é música alternativa. O amor é sucesso na rádio cidade. O amor dificilmente viverás em a paixão e não me venham dizer que o contrário também é verdade, porque pode muito bem ser e daria cabo de toda esta minha tese que conclui precisamente agora.""

(Crónica retirado em completo do Jornal Metro de dia 3 de Novembro de 2010)

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