Usar traje académico este ano faz com que a razão de uso, se torne verdadeira e completa. Estando no meu 2ºano de universidade do meu curso de Gestão de Empresas. O uso do mesmo não tenho feito a 100% tanto como gostaria, mas as obrigações e responsabilidades laborais que me impedem de fazer o correcto uso do nome académico, como a utilização e como o acompanhamento do novos caloiros, decidi não apadrinhar nenhum caloiro, por motivos profissionais, e como não poderia fazer o que me fizerem, tal como o meu padrinho me fez. Ser madrinha, tal como indica consiste em acompanhamento, não basta dizer que temos afilhados, temos que fazer jus ao nome, como queria realizar e acompanhar da mesma forma que fui acompanha pelo meu padrinho, não achei justo, porque devido às aulas à noite, o não poder estar durante o dia nem participar nas várias actividades.
Como tema inicial o meu deste post o Traje Académico, para o usar regras têm que ser seguidas, porque tal como a sua utilização indica uma das principais funções para além de identificar um estudante académico, serve para que todos os estudantes sejam vistos de forma igual, isto é a igualdade de todos sem que sejam rotolados ou verificar estrato social, entre outros.
Bem aqui deixo as regras, a forma de utilização do mesmo.
"A única forma de alguém se evidenciar é através do uso da inteligência, pois de traje não se podem usar enfeites para chamar a atenção. Estando de Capa e Batina, o estudante é levado a desenvolver mais fortemente a sua personalidade e a tornar-se mais sólido."
Mas acerca do significado do Traje, talvez seja melhor ler o que nos diz Antão de Vasconcelos:
«Sente-se no perpassar da capa e batina uma viração igualitána, que varre bem para longe as diferenças de fortuna, fatal desigualdade que, fora da vida Universitária cai sobre as almas juvenis como neve sobre botões entreabertos, crestando-os e esterilizando-os. O fidalgo e o plebeu, o rico e o pobre, igualmente uniformizados entram na comunhão da vida académica, com o mesmo direito, com a mesma alegria, com o mesmo sentimento de posse com que no mundo vegetal e animal os seres entram na partilha do sol, do espaço e do solo. O fraque elegante do filho do rico e do potenteado, não obriga a retrair-se o casaco sovado do filho do pobre. A mocidade é uma para todos. O mesmo pano, o mesmo corte dá às almas a mesma franqueza de movimento, que só a inteligência torna mais fácil e mais nobre. Debaixo da capa e da batina, o espírito dos moços, a alma mais fácil e mais nobre, dos que se embebem de saber, naturalmente, como um fenómeno de endosmose da espiritualidade ambiente, pode cantar com Metastásio:
O giuventá primavera della vita!
O giuventá primavera della vita!
A mocidade constitui-se uma unidade intelectual e moral inquebrantável e irredutível.
O homo hominis lupus não vive a sua voracidade no encalço dos que trabalham. Não há ai o ciúme da alma, em outros meios literários mais intenso do que o da carne.
A vida universitária cultivava essa vida em comum, essa promiscuidade benfazeja de sementeira, em que se dá a diferenciação pela espontaneidade da evolução de cada espécie, apesar da mesma nutrição pelo mesmo númus».
O homo hominis lupus não vive a sua voracidade no encalço dos que trabalham. Não há ai o ciúme da alma, em outros meios literários mais intenso do que o da carne.
A vida universitária cultivava essa vida em comum, essa promiscuidade benfazeja de sementeira, em que se dá a diferenciação pela espontaneidade da evolução de cada espécie, apesar da mesma nutrição pelo mesmo númus».
(in Memórias do Mata-Carochas, Vasconcelos, Henrique António Coelho de;
1.ª ed. 1907; 2.ª ed. ilustrada 1956, Porto)
1.ª ed. 1907; 2.ª ed. ilustrada 1956, Porto)
Da simbologia do Traje já muito se tem dito, mas muitas divagações acerca dele correm sério risco de se encontrarem erradas.
Mesmo assim, o Traje Académico continua a apaixonar estudantes, geração após geração.
E esperemos que assim continue!
E esperemos que assim continue!
Como é constituído o Traje Académico??
PARA OS HOMENS deve ser constituído por:
- sapatos pretos lisos, sem fivelas nem adornos metálicos, com cordões em número ímpar;
- meias pretas;
- calça preta lisa com ou sem porta;
- colete preto não de abas ou cerimónia;
- batina que não seja de modelo eclesiástico;
- camisa branca e lisa, com colarinho de modelo comum, gomado ou não, e com ou sem punhos;
- gravata preta e lisa;
- capa preta, com ou sem cortes na parte inferior e com ou sem distintivos na parte interior.
- meias pretas;
- calça preta lisa com ou sem porta;
- colete preto não de abas ou cerimónia;
- batina que não seja de modelo eclesiástico;
- camisa branca e lisa, com colarinho de modelo comum, gomado ou não, e com ou sem punhos;
- gravata preta e lisa;
- capa preta, com ou sem cortes na parte inferior e com ou sem distintivos na parte interior.
O colete e a Batina deverão ter um número de botões pregados correspondente ao número de casas.
A Batina deve ter pregados, na parte média posterior, dois botões de tamanho maior e apresentar em cada uma das mangas de um a quatro botões, mas de modo a que o número destes seja o mesmo num e noutro punho.
Na falta do colete, a batina deve apresentar-se abotoada;
O bolso posterior da calça, tendo casa, tem de ter botão;
O laço pode usar-se com o traje em ocasiões solenes;
O uso de lenço visível no bolso superior esquerdo não é incompatível com o uso da Capa e Batina, desde que seja branco;
O uso do gorro da praxe é facultativo, mas este não pode ter borla nem terminar em bico;
Na falta do colete, a batina deve apresentar-se abotoada;
O bolso posterior da calça, tendo casa, tem de ter botão;
O laço pode usar-se com o traje em ocasiões solenes;
O uso de lenço visível no bolso superior esquerdo não é incompatível com o uso da Capa e Batina, desde que seja branco;
O uso do gorro da praxe é facultativo, mas este não pode ter borla nem terminar em bico;
É proibido o uso de botins ou botas altas;
PARA AS MULHERES deve ser constituído por:
- Sapato preto, de modelo simples, com tacão pequeno; - meia alta, preta;
- Fato saia e casaco, preto e de modelo simples;
- O casaco não pode ter golas de seda ou pele;
- A saia não pode ser rodada e deve usar-se pelo meio do joelho;
- Camisa branca;
- Gravata preta lisa;
- Capa preta.
- O uso do gorro da praxe é proibido às mulheres;
- É proibido o uso de maquilhagem;
- Não havendo proibição formal acerca do uso de brincos, aconselha-se sejam discretos, clássicos e não sejam pendentes;
- Fato saia e casaco, preto e de modelo simples;
- O casaco não pode ter golas de seda ou pele;
- A saia não pode ser rodada e deve usar-se pelo meio do joelho;
- Camisa branca;
- Gravata preta lisa;
- Capa preta.
- O uso do gorro da praxe é proibido às mulheres;
- É proibido o uso de maquilhagem;
- Não havendo proibição formal acerca do uso de brincos, aconselha-se sejam discretos, clássicos e não sejam pendentes;
PARA AMBOS
a) Em tempos normais
É proibido o uso de luvas, pulseiras, colares, anéis e outros adornos ou sinais externos de vaidade ou riqueza.
É permitido, contudo, o uso de aliança de casamento ou de compromisso.
Não é proibido o uso de relógio de pulso, mas este tem de ser clássico, discreto e sem brilhos.
É proibido o uso de telemóvel visível. Quem não quiser prescindir dele deve guardá-lo num dos bolsos, por exemplo.
É proibido o uso de boina.
Só é permitido o uso de guarda-chuva se este for preto, liso, com cabo de madeira e possuir doze varas.
É permitido, contudo, o uso de aliança de casamento ou de compromisso.
Não é proibido o uso de relógio de pulso, mas este tem de ser clássico, discreto e sem brilhos.
É proibido o uso de telemóvel visível. Quem não quiser prescindir dele deve guardá-lo num dos bolsos, por exemplo.
É proibido o uso de boina.
Só é permitido o uso de guarda-chuva se este for preto, liso, com cabo de madeira e possuir doze varas.
Os pins não são proibidos, ou pelo menos não existe nenhuma proibição formal quanto ao seu uso, mas devem usar-se na lapela esquerda. De forma a evitar as inestéticas «vitrinas», aconselha-se fortemente o uso de um único pin: o da instituição ou o do curso, por exemplo.
A roupa interior e os bolsos não estão sujeitos a revista.
Devem retirar-se todas as etiquetas do traje.
Devem retirar-se os colchetes e todo e qualquer tipo de abotoadura da capa.
A Capa nunca se lava. Lavá-la é apagar e renunciar todas as recordações da vida de estudante.
Além disso, “dá azar”, dizem os supersticiosos.
A Capa não se deve encontrar a uma distância superior a sete passos do seu proprietário.
A Capa pode usar-se dobrada sobre o ombro esquerdo com a gola para trás ou sobre os ombros, com um número de dobras na gola correspondente ao ano frequentado e com os distintivos virados para dentro.
Os caloiros devem usar a Capa dobrada no braço esquerdo, sendo-lhes vedado traçá-la, fazer-lhe rasgões ou colocar-lhe emblemas e/ou insígnias pessoais.
Contudo, após o cair da noite, devem colocá-la sobre os ombros e segurá-la junto ao colarinho de modo a que não se veja o branco da camisa.
Devem retirar-se todas as etiquetas do traje.
Devem retirar-se os colchetes e todo e qualquer tipo de abotoadura da capa.
A Capa nunca se lava. Lavá-la é apagar e renunciar todas as recordações da vida de estudante.
Além disso, “dá azar”, dizem os supersticiosos.
A Capa não se deve encontrar a uma distância superior a sete passos do seu proprietário.
A Capa pode usar-se dobrada sobre o ombro esquerdo com a gola para trás ou sobre os ombros, com um número de dobras na gola correspondente ao ano frequentado e com os distintivos virados para dentro.
Os caloiros devem usar a Capa dobrada no braço esquerdo, sendo-lhes vedado traçá-la, fazer-lhe rasgões ou colocar-lhe emblemas e/ou insígnias pessoais.
Contudo, após o cair da noite, devem colocá-la sobre os ombros e segurá-la junto ao colarinho de modo a que não se veja o branco da camisa.
Podem colocar-se emblemas e insígnias pessoais na Capa na parte interior esquerda.
Estes devem ser cosidos manualmente com linha preta em ponto cruz e esta não deve passar para o lado exterior da capa.
Não se espeta metal na Capa.
A soma dos emblemas da Capa tem de ser ímpar.
Os distintivos da Capa não podem ser visíveis estando esta traçada ou sobre os ombros.
Podem fazer-se rasgões na capa, cada um simbolizando um momento importante da vida do estudante.
Todos os rasgões devem ser feitos com os dentes.
Coser os rasgões é facultativo, mas deve fazer-se com linha preta ou da cor do curso, em ponto cruz.
A Capa traça-se sempre sobre o ombro esquerdo.
Estes devem ser cosidos manualmente com linha preta em ponto cruz e esta não deve passar para o lado exterior da capa.
Não se espeta metal na Capa.
A soma dos emblemas da Capa tem de ser ímpar.
Os distintivos da Capa não podem ser visíveis estando esta traçada ou sobre os ombros.
Podem fazer-se rasgões na capa, cada um simbolizando um momento importante da vida do estudante.
Todos os rasgões devem ser feitos com os dentes.
Coser os rasgões é facultativo, mas deve fazer-se com linha preta ou da cor do curso, em ponto cruz.
A Capa traça-se sempre sobre o ombro esquerdo.
O uso do traje académico implica o respeito e cumprimento de certas regras.
Deste modo, a Capa deve usar-se caída pelos ombros e sem dobras nas aulas teóricas em que o professor é catedrático (podendo retirá-la com a autorização do professor), em sinal de respeito pela pessoa com quem se está a falar ou a acompanhar, e em sinal de respeito pelo local onde se está (igreja, catedral, cerimónia académica, etc.) Nestas ocasiões, a Batina deverá encontrar-se sempre abotoada.
Por vezes, quando se pretende homenagear alguém, coloca-se-lhe uma capa caída pelos ombros.
Só em ocasiões muito especiais é que se colocam as capas estendidas no chão para que o homenageado possa passar por cima delas. Esta é a maior homenagem académica que se pode fazer a alguém.
b) Em cerimónias especiais
Deve usar-se a Batina abotoada e a Capa estendida ao longo do corpo, com as respectivas dobras.
Em situação de dança, e por uma questão de mera comodidade, poder-se-á dançar sem Capa, se a dama assim o permitir.
Deve usar-se a Batina abotoada e a Capa estendida ao longo do corpo, com as respectivas dobras.
Em situação de dança, e por uma questão de mera comodidade, poder-se-á dançar sem Capa, se a dama assim o permitir.
c) Na missa
Deve usar-se a Batina abotoada e a Capa estendida ao longo do corpo, sem dobras.
Nunca se traça a Capa durante uma cerimónia religiosa.
d) Durante o luto
Em caso de luto, a Batina deve apresentar as abas fechadas, encontrando-se a Capa caída pelos ombros, sem dobras.
e) No fado e nas serenatas
Todos os estudantes presentes devem ter as capas traçadas, evitando que se veja o branco do colarinho e dos punhos.
Nas serenatas nunca se batem palmas. Caloiro não traça a Capa, mas deve-a unir e apertar junto ao pescoço, segurando-a de modo a que não se veja o branco do colarinho.
d) Nos Cortejos da Queima das Fitas
Os Cartolados devem cobrir as lapelas da Batina com bandas de cetim da cor do curso a que pertencem.
As abas devem ser arredondadas, dobrando e cosendo as duas pontas inferiores, dando um aspecto de fraque.
A cartola e o laço ou a roseta, no caso das mulheres, devem ser da(s) cor(es) do(s) curso(s). A roseta usa-se no bolso exterior esquerdo superior do casaco. Não se leva a Capa estando de cartola e bengala.
Estas regras relativas ao uso do Traje Académico foram retiradas, na maioria, de documentos escritos, mas algumas foram compiladas a partir da tradição oral. Assim, um grupo muitíssimo reduzido destas regras podem variar de instituição para instituição.



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