Quando estou junto a ti consigo dizer-te tudo sem proferir uma só palavra... Entre nós só existem silêncios, mas a minha alma grita! Grita de vontade de te envolver num voo suave rente às espumas das marés, de te enredar num ninho no alto de uma árvore, de tecer à tua volta num novelo de sussurros, de te estender num tapete de relva verde ao sol de uma manhã de Primavera.
Queria poder-te abraçar e com o calor dos meus abraços deixar que cerrasses as pálpebras e desejasses que o mundo de súbito deixasse de existir. E eu fico aqui ao longe olhando-te, fingindo que por breves instantes troquemos olhares e que faço parte dos teus pensamentos.
Fico aqui fitando-te e imaginando que caminhas em direcção a mim com um sorriso rasgado e me estendes a mão. E desejo entender-me no escuro dos teus olhos numa qualquer manhã de Inverno e desejo que os meus ouvidos só soem os teus sorrisos, e no meu nariz só penetre o teu cheiro macio, e na minha boca só haja espaço para o teu sabor, e nos meus olhos só a tua imagem permaneça, e nas minhas mãos toda a plenitude do teu corpo se condense...
São as tuas mãos,
E as tuas mãos apenas,
O lugar onde me encontro,
O meu único aconchego.
Essas mãos,
Conchas pequenas,
Onde adormeço o eterno mar
Do meu desassossego.


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